sábado, 7 de março de 2009

A Voz do Silêncio

Muitos outros se cruzaram na minha vida e hoje chamo-lhes de amigos. Amigos são aquelas pessoas que estão sempre ao nosso lado, que nos ajudam e também nos fazem ver que estamos errados. Nalguns momentos revejo com tristeza que quanto mais crescemos mais amigos temos que ver partir… vidas que se tocam por momentos mas que deixam saudades, um vazio. Esperanças por um futuro ou por um sonho leva muitas pessoas a seguirem caminhos diferentes… é mesmo assim.
Num mundo ideal gostaria que todos os meus amigos ficassem, comigo para sempre, porque cada um contribuiu para aquilo que sou agora. Gostava de ser uma criança que se pudesse aconchegar em todos os seus peluches e que, dia após dia, eles estivessem lá para que pudesse dormir e sonhar. Os amigos são esses peluches que partilhamos momentos e experiências e que nos aconchegam nos momentos tristes. Gostava de os ter todos para mim… eu sei… não pode ser. Cada um tem a sua vida o seu caminho e que só pode ser vivido por cada um. Chegamos a pensar que estamos sozinhos mas quando reparamos já temos novos amigos para nos lembrar que não.
Tenho uma amiga especial que se destaca entre os demais. Já não me recordo como é que as nossas vidas se cruzaram, mas isso também não interessa. O que interessa é o que ela é para mim. Ela chama-se Matilde Duarte. A Matilde entrou para a nossa escola já algum tempo mas de certa forma rapidamente se tornou importante para mim. É uma amiga, de certo, mas é aquela amiga… que quase sabe mais de mim do que qualquer outra pessoa.


Começa a chover.. A chuva como que desenhava pequenos riscos no ar, todos geometricamente iguais e quando cada pingo chegava ao chão salpicava água para todos os lados. Rapidamente saiam todos do pátio e abrigavam-se nas cobertas existentes. Eu ainda estava imóvel a admirar a chuva, olhando para o céu bem alto e vendo as gotas a aproximarem-se mais e mais na minha direcção até que… tocavam ao de leve na minha pele e deslizavam contornando a face do meu rosto. As gotas de água que se faziam sentir fizeram-me voltar à realidade. Acordaram-me dos meus pensamentos.
Matilde dizia-me para vir depressa para não me molhar, puxando-me pelo braço. Meio desequilibrado lá fui eu seguindo-a até à fila da cantina.

3 comentários:

  1. são pessoas assim que nos fazem sentir que vale a pena andarmos por cá, que não é por acaso!

    :)


    "E de novo acredito que nada do que é importante se perde verdadeiramente. Apenas nos iludimos, julgando ser donos das coisas, dos instantes e dos outros. Comigo caminham todos os mortos que amei, todos os amigos que se afastaram, todos os dias felizes que se apagaram. Não perdi nada, apenas a ilusão de que tudo podia ser meu para sempre." (Miguel Sousa Tavares)


    Carina (do inglês)

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  2. ah, tb já tive o meu blog:

    http://pormenoridades.blogspot.com


    (e lá encontras links para outros...)



    Carina (do inglês)

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